visitante(s) soprando palavras ao vento




31.3.03

roda do tempo

o ouvido não ouviu
e a boca se calou
mas o coração gemeu
ao relato impiedoso do espelho
a zombar de mim
mesmo sendo eu

tarciso soprou estas palavras ao vento às 1:35 PM
 


29.3.03



Acho que ser amigo é uma porção de coisas, a gente poderia ficar falando horas aqui sobre isso e milhões de mensagens lindas brotariam a respeito... Mas o que eu queria mesmo é pegar esse fio da amizade que venho descobrindo de pessoas que virtualmente se aproximam e ganham o meu coração, para dedicar a todas elas estas palavras curtinhas de retorno pelo carinho que tenho recebido neste "mundo maravilhoso do blog", e focalizo em especial aqui a Bia que com tantos afazeres e tantos sites para cuidar, acha a 25ª hora para simplesmente "ser amiga" e nos presentear...

Ganhar algum tempo
Perdendo tempo comigo
É assim que eu reconheço em ti
um amigo...
Que como eu tem problemas
Que divide as alegrias e dores
E mesmo em tempos aflitos e cinzas
Me aparece para emprestar suas cores
Chegas de mansinho e sem alarde
Entregas teu presente como se nada fosse
E partes sem nada esperar em troca
Antes que eu diga qualquer palavra
A minha sorte é que sempre voltas
Para que eu possa te abraçar
E agradecer ao meu modo
O mundo de novas formas
Que me ensinas a enxergar
Dizer obrigada parece tão pouco
Ser amigo de volta é o que importa
Saibas portanto que contas comigo
Para o que for que precises
Neste nosso mundo tão louco.

CoRa soprou estas palavras ao vento às 12:14 PM
 


28.3.03



Poemeto I

Ventaria a ventania
E se não ventasse
Não inventaria
As imprecisas
Trajetórias
Das versificadas
Histórias
Esculpidas por mim
Nas folhas pautadas
De vento
Que crio, recrio e (in)vento
Na ânsia de escrever
Estes versos
E cochicha-los
Na orelha
Deste (In)ventário.

Este poema foi composto para a orelha de meu mais recente livro - Inventário - lançado em 2002. Escolhi este texto pelos trocadilhos feitos com a palavra vento e por este poemeto trazer em si uma história curiosa: foi escrito em aproximadamente 5 minutos, de última hora, Tal qual uma rajada de vento que aparece sem avisar. O enviei para editora por e-mail após solicitação do editor por telefone.

Gutto Rabelo soprou estas palavras ao vento às 7:51 PM
 

Libertas Quæ Sera Tamem


Desde muito cedo já revelava minha inclinação para o contestar.
Para a afirmação dos direitos que eu sempre imaginara ter.
Ninguém havia me dito que os tinha, mas eu os tinha tomado por propriedade.
E a liberdade, esta senhora por hoje tão ameaçada, exaltei sempre em meus pensamentos , meus manuscritos e rabiscos maltraçados.
Não apenas a liberdade física, mas a liberdade subjetiva.
A liberdade de atitudes, de pensamento, de moral, de costumes e expressão.
A liberdade que se opõe a todo e qualquer jugo , opressão e escravidão.
Aquela que É para todos, mas não ESTÁ para todos.
Porém a luta travada por poucos talvez a traga de arrasto para muitos que dela precisam.
Talvez...
A crueldade de alguns é assombrosa, e ronda, ameaçando a liberdade de muitos.
A liberdade de toda uma espécie.
A liberdade de toda uma raça.
A humana.
Em que campo de batalha nos veremos obrigados a lutar, dentro de não muito tempo,
para mantê-la?
Lutaremos?
Sucumbiremos à opressão?
Talvez criemos uma nova bandeira, e façamos dela universal.
No lugar do triângulo negro, um círculo simbolizando a terra.
A inscrição, esta sim, permanecerá a mesma:

LIBERDADE, AINDA QUE TARDIA

Bia soprou estas palavras ao vento às 2:17 PM
 

...e o equilibrista

expressão soturna
e anda cabisbaixo
garrafa vazia
de barriga inchada
lamúrias inaudíveis
na pele macilenta
os sinais do vício
o seu passo trôpego
insinua a queda
e a eterna desculpa
perdera a namorada
com quem se casara
pai dos quatro filhos
que também perdera
e ao final perdeu-se
ou melhor dizendo
mergulhado em copos
nunca se encontrara

tarciso soprou estas palavras ao vento às 1:54 PM
 


27.3.03

rosa

o perfume exala - quase fala
- um jeito divino de exprimir -
a rosa virtual flui ou navega
as paginas web do viver
quem dera teu olhar a contemplasse
e se perdesse e se calasse
sem saber...
é uma rosa - me convenço, uma rosa
obra prima em reflexo -
uma rosa!

PS.: este poema o tenho em outra página,
com imagem e efeito visual: r o s a.

tarciso soprou estas palavras ao vento às 9:05 PM
 

Aniversário de um Ícone

Comemorando o Aniversário de nascimento de Renato Russo eis aqui um fragmento de uma crônica feita por mim um dia após o falecimento dele ( sob encomenda para um amigo). Que os bons ventos continuem a soprar as notas das canções de Russo pelas gerações vindouras.



Em vida foi um filósofo. Esta homenagem póstuma termina pois - com sua melhor amiga - a Filosofia: A Fonte para a Perfeição Do Espírito é Um Dia Perfeito escrito a Giz na lousa da eternidade. Quando o Sol Bater na Janela do teu quarto, terás consciência de que A Tempestade passou. Pais e Filhos mudaram as estações e você não morreu, apenas mudou-se para A Via Láctea: Só por Hoje... eterno hoje... Vai com Os Anjos, vai em paz...

* Veja a íntegra da crônica aqui

Gutto Rabelo soprou estas palavras ao vento às 1:34 PM
 

Uma brisa de Alegria... Porque não?

Em tempo de guerra triste e bons ventos de vozes unidas contra ela, quase nada podendo fazer, eu me peguei lendo num email que recebi, um texto do Paulo Coelho (não gosto muito dele, mas respeito) que traz uma mensagem pra lá se correta e encorajadora... No texto entitulado Carta, Coelho agradece a Bush com ironia, tudo o que ele (Mr.President) tem provocado com essa guerra ridícula e chega, por fim, a dizer:

Obrigado (Mr.Bush) por ter conseguido o que poucos conseguiram neste século: unir
milhões de pessoas, em todos os continentes, lutando pela mesma idéia -
embora esta idéia seja oposta à sua.

Obrigado por nos fazer de novo sentir que, mesmo que nossas palavras não
sejam ouvidas, elas pelo menos são pronunciadas e isso nos dará mais força
no futuro.

Obrigado por nos ignorar, por marginalizar todos aqueles que tomaram uma
atitude contra sua decisão, pois é dos excluídos o futuro da Terra.

Obrigado porque, sem o senhor, não teríamos conhecido nossa capacidade de
mobilização. Talvez ela não sirva para nada no presente, mas seguramente
será útil mais adiante.

Agora que os tambores da guerra parecem soar de maneira irreversível, quero
fazer minhas as palavras de um antigo rei europeu para um invasor: "que sua
manhã seja linda, que o sol brilhe nas armaduras de seus soldados, porque
durante a tarde eu o derrotarei."

Obrigado por permitir a todos nós, um exército de anônimos que passeiam
pelas ruas tentando parar um processo já em marcha, tomemos conhecimento do
que é a sensação de impotência, aprendamos a lidar com ela, e transformá-la..."


Gostei da mensagem. É mesmo gostosa a sensação de que a união faz a nossa força, mesmo contra maus ventos de tempestades impensadas. Lembrei também da alegria rebelde de Caetano , caminhando sem lenço nem documento, no sol de quase dezembro e indo... com o sol se repartindo em crimes, espaçonaves, guerrilhas... em cardinales bonitas, e ele indo, e nós com ele, em côro, cantando em caras de presidentes, em grandes beijos de amor, em dentes, pernas, bandeiras, bomba ou Brigitte Bardot. O sol nas bancas de revista, nos enchendo de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?... E a gente ia, com ele, por entre fatos e nomes, os olhos cheio de cores, o peito cheio de amores vãos...

A diferença é que naquele tempo, a gente "tomava uma coca-cola", enquanto pensava em casamento. E agora a gente até boicota a dita (Coke) cuja por causa desse idiota nojento (Mr.Bush)!

Mas ainda dá pra cantar o resto, numa só voz, pra sentir no ar, uma brisa de Alegria...

E uma canção me consola
Eu vou...
Por entre fotos e nomes
Sem livros e sem fuzil
Sem fome, sem telefone
No coração do Brasil
Ela nem sabe até pensei
Em cantar na televisão
O sol é tão bonito
Eu vou...
Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo, amor
Eu vou...
Por que não? Por que não? ...

CoRa soprou estas palavras ao vento às 11:45 AM
 


26.3.03

Problemas no blog?


Infelizmente nosso amigo Francisco não está conseguindo acessar o diretório do blog para postar.
Simplesmente não consegue realizar o login. Já conferi, e está tudo certinho. Ele consta como membro da equipe, e nenhum problema parece existir. Mesmo assim, ele não consegue acessar o blog. Já enviei uma mensagem para o suporte técnico do BloggerBR. Espero que eles possam nos ajudar de alguma forma.
Vamos ficar na torcida.

Bia soprou estas palavras ao vento às 10:28 PM
 

Em homenagem aos bons ventos que rajam por aqui deixo minha primeira contribuição efetiva. Uma música do Biquini Cavadão, banda nomeada por Herbert Viana e que fez enorme sucesso nos Anos 80 / 90.



Vento Ventania

(Alvaro, Bruno, Miguel, Sheik, Coelho, Beni)

Vento, ventania, me leve para as bordas do céu
Pois vou puxar as barbas de Deus
Vento ventania, me leve para onde nasce a chuva
Pra lá de onde o vento faz a curva

Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas, redemoinhos
Vento, Ventania, me leve sem destino
Quero juntar-me a você
E carregar os balões pro mar
Quero enrolar as pipas nos fios
Mandar meus beijos pelo ar
Vento, Ventania,
Me leve pra qualquer lugar
Me leve para qualquer canto do mundo
Ásia, Europa, América

Vento, ventania, me leve para as bordas do céu
Pois vou puxar as barbas de Deus
Vento, ventania, me leve para os quatro cantos do mundo
Me leve pra qualquer lugar

Me deixe cavalgar nos seus desatinos
Nas revoadas , redemoinhos
Vento, ventania, me leve sem destino
Quero mover as pás dos moinhos
E abrandar o calor do sol
Quero emaranhar o cabelo da menina
Mandar meus beijos pelo ar
Vento, Ventania, agora que estou solto na vida Me leve pra qualquer lugar, me leve mas não me faça voltar.

©1991 Universal Publishing Ltda.Todos os Direitos Reservados

Por Gustavo Rabelo


Gutto Rabelo soprou estas palavras ao vento às 11:50 AM
 

riscos

prefiro a crueza de certas pessoas autênticas
porque as sutilezas são boas desde que não se tornem insinuações
as amabilidades são boas desde não escondam alguma bajulação
os sorrisos são bons desde que não disfarcem uma conspiração
e os abraços e beijos são bons desde que não sinalizem uma traição
porque a vida me brindou com algumas dores - me vi desconfiado
só quando abri o coração e arrisquei
quando perdoei aos que haviam me ferido
foi possível reassumir os riscos do querer
e mergulhar nas tuas sutilezas
me embriagar do teu sorriso
e me perder de amores nos teus braços
nos teus beijos e abraços
e no prazer da tua companhia

tarciso soprou estas palavras ao vento às 9:42 AM
 

Sou desses que vez em quando me pego perguntando o porquê das coisas acontecerem. Não é lamento. É por uma inexplicável e contagiante felicidade que me invade de vez em quando e, por uma dessas forças que ainda não entendemos como funciona, surge no momento que mais precisamos. Tenho caminhado em torno do computador feito um leão na jaula que anda pra lá e pra cá sem saber direito o que quer. Chego a sentar e tentar escrever algo, um texto, um mail, qualquer coisa e não consigo nada que dure mais de duas linhas. É nessa hora que recebi o convite da Bia pra jogar algumas palavras aos quatro ventos. Bia! o que eu precisava era disso. De um convite. Foi ler teu mail que saí correndo (literalmente) pra dizer SIM. Na verdade não sei se os textos vão sair agora. Não sei mesmo, ando meio jururu. Mas podem ter certeza que tô muito empolgado com a idéia.
É nessas que fico me fazendo perguntas difíceis de responder. A resposta nem é o mais importante. Gosto mesmo é de me ver assim, gostando de viver e encontrando, pelo caminho, pessoas tão legais que nos sacodem de vez em quando.
Beijo!

Antonio Esperança

soprou estas palavras ao vento às 12:06 AM
 


25.3.03



Tô chegando e trazendo apenas parte da mudança, mas já vou me espalhando, porque afinal me convidaram pra ficar. Chego avisando que sou de muito papo, prosa variada e verso próprio. Sem rabo preso, mas o coração total e voluntariamente aprisionado a um só amor... Não durmo de bobs, não tenho personal trainner, tenho um cachorro e um gato e nenhum deles oferece perigo ou dá trabalho. Fumo -infelizmente- mas respeito ambientes fechados em favor de quem não sofre desse mal tão prazeiroso e maléfico. A mala vocês estão achando grande rapazes? Ahhh, o que que é isso. Mulher que é mulher anda prevenida. E se alguém precisar de linha e agulha aí, não se preocupem: tá na mão! Senhoras e senhores, eu sou CoRa.

CoRa soprou estas palavras ao vento às 9:09 PM
 

Olá, meu nome é Gustavo. Aceito honrosamente o convite de fazer parte da equipe mantenedora deste espaço. Tenho certeza de que se poderá disseminar bons textos e fluídos por aqui. Bia, grato por sua confiança e pode contar sempre comigo. Aos demais parceiros, meu muito prazer. Será uma honra poder manifestar meus pensamentos aos quatro ventos.

Abraços a todos.

Gutto Rabelo soprou estas palavras ao vento às 7:24 PM
 

Tudo o que promove o pensamento é válido.
Nossas palavras não são ditas ao vento...jamais
Pelo contrário...
Elas fazem uso do vento para se propagarem por todas as terras, e chegarem a todas as gentes.


Bia soprou estas palavras ao vento às 4:13 PM
 

meu faro

o faro me aproxima do cachorro
e vocifero enquanto late
mas ao final o resultado é o mesmo
pois cachorro que late não morde
e a guerra que condeno
não se estanca aos berros
ainda assim busco a matilha
pra que ao menos o barulho
suste o movimento dos gatilhos
e se reencontre o brilho
a humanidade onde mora o desatino
a paz, a harmonia e a beleza do viver

tarciso soprou estas palavras ao vento às 2:30 PM
 


24.3.03

Parece-me redundante qualquer comentário acerca da guerra.
Como se tudo o que tivesse a ser dito já o tivesse sido.
Mas também como se ainda muito houvesse para se dizer.
Como se alguém que tivesse que se pronunciar houvesse se calado.
E se calou.
De quem é a responsabilidade maior em tudo?
A quem caberia a maior parcela de culpa?
Divide-se a culpa em parcelas e distribui-se entre todos os que se omitiram em detrimento dos seus próprios interesses?
Pode-se dividir a culpa?
Pode-se responsabilizar, e por conseguinte isentar alguém desta responsabilidade em toda esta história?
Com todo o seu histórico de uma ditadura sangrenta, seremos nós capazes de julgar justo um ato de extrema violência?
'Teremos o direito de julgar e dizer :
"Foi bem-feito..."??
Serão ouvidos em algum lugar, e melhor ainda, tidos em alta conta, todos os nossos gritos de protesto?
Terão valido nossas lágrimas?
Terão valido as lágrimas dos que perderam os seus em combate?
Continuará prevalecendo o interesse de poucos,
num jogo de cobiça e poder, ou haverá a voz que falará mais alto, e calará todas as outras?
Quem sabe?
Ninguém.
Fernando Pessoa disse uma vez que tudo vale a pena, quando a alma não é pequena.
E se ela for??
E se esta alma for pequena, e/ou inexistir?
Talvez nos peguemos desprevenidos, na simples constatação de que nada somos, e nada valemos.
E que nada , ao final, terá realmente valido a pena...

Bia soprou estas palavras ao vento às 11:31 PM
 

Segue o teu destino,
Rega as tuas plantas,
Ama as tuas rosas.
O resto é a sombra
De árvores alheias.

Fernando Pessoa
Postado por Francisco Maximiano da Silva

Francisco M. Silva soprou estas palavras ao vento às 8:23 AM
 


23.3.03

aflição

à cata de razões
mas não as há
asas à imaginação
que assim não dá

queria poder voar
sobrevoar o Iraq
levando um almanaque de paz
pétalas, sorrisos
se opondo ao bélico horror

no meu peito amor
e o medo em meu olhar
e o pavor do logo mais
do amanhã que virá

a estupidez humana
desnorteia o norte
desorienta o oriente
e despeja bombas inclementes

suas ogivas cegas
não distinguem crianças de soldados
hospitais de quarteis
mesquitas de fortalezas

e se lambuzam de destruição e morte
selando a sorte de milhares
contagiando a milhões
revelando uma face sanguinária
isolada em sua sanha insana

vidas profanadas
dores múltiplas aspergidas
como as cinzas dos corpos carbonizados
ao som de sirenes, gritos e gemidos

não encontro respostas
mas me aumenta a indignação
e o desejo de que tudo isso acabe
e impere a paz

tarciso soprou estas palavras ao vento às 11:25 PM
 


22.3.03

Uma imagem de Millor que fala por mim...

Bia soprou estas palavras ao vento às 10:51 AM
 

O senhor da guerra


Estava assistindo ao noticiário e uma onda de tristeza se abateu sobre mim, então comecei a chorar.
Minha mãe perguntou o que eu tinha, o porquê do choro.
Não soube responder .
É uma tristeza enorme pelo destino deste mundo.
Uma dor por não saber o que será...
Uma dor por não saber que mundo deixarei para meu filho, meus netos, bisnetos, minha descendência enfim.
Eu não estarei mais aqui para ver as consequências de toda esta maldade se abatendo sobre nosso futuro.
Mas estarão aqueles que descenderam de mim.
E sinto uma enorme revolta crescer a cada minuto em que esta estúpida guerra avança madrugada adentro.
Uma revolta por viver simplesmente.
Por ser apenas uma peça sem importância em uma máquina de gerar riquezas que nunca permanecerão nas mãos dos desfavorecidos. E esta revolta se agiganta num crescendo assombroso, explodindo em lágrimas de absurda incapacidade.
Que minha falta de fé não me prive de acreditar num futuro melhor.
Que alguém lá em cima possa ter piedade de todos nós...

Bia soprou estas palavras ao vento às 10:47 AM
 


21.3.03

Ok...acredito que resolvi o mistério do desaparecimento dos posts.
Ocorre que a opção para arquivamento dos posts é semanal.
Ou seja, os posts anteriores já foram arquivados.
Agora vou conferir os problemas com o sistema de comentários.
Torçam por mim!

Bia soprou estas palavras ao vento às 8:24 PM
 

Impagável este texto de Luiz Augusto Gollo, que você pode conferir aqui
Imaginemos, apenas como um exercício de ficção, a prova de literatura do vestibular de 2.046, em que nossos netos provavelmente encontrarão as seguintes perguntas:

VESTIBULAR 2.046 - LITERATURA BRASILEIRA

1. Leia o trecho do poema abaixo e responda as questões:

"O JUMENTO E O CAVALINHO
ELES NUNCA ANDAM SÓ
QUANDO SAI PRA PASSEAR
LEVA A ÉGÜINHA POCOTÓ
POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ
VAI, LACRAIA!
POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ, POCOTÓ
MINHA ÉGÜINHA POCOTÓ"

("Égüinha Pocotó", MC Serginho, 2003)

a) A forma adotada pelo autor do texto leva o leitor a uma reflexão crítica acerca de alguns elementos do estilo literário da época, ao mesmo tempo em que insere temáticas dotadas de valor universal. Assinale a passagem em que o autor expressa com maior intensidade esse dualismo. Identifique a figura de linguagem adotada.

b) Ao idealizar a união, num mesmo patamar, de personagens que até aquele momento só haviam sido tratados em termos de separação de classes, metaforiza o autor o "jumento e o cavalinho" como uma paródia da realidade social do país à época. O brilhantismo dessa visão contestatória é destacado por expressões que, ao leitor menos atento, podem parecer erros gramaticais, mas que na verdade geraram uma nova aplicabilidade na sintaxe da norma culta da variante brasileira urbana da língua portuguesa. Identifique esses trechos e as inovações gramaticais por eles introduzidos.

c) Eleita acompanhante nos passeios dos dois protagonistas, a Égua Pocotó rompe a solidão até então predominante em seu contexto no panorama urbano estabelecido à época. Mais do que um triângulo amoroso convencional, o autor atribui aos personagens um status que transcende a natureza física convencional. Emerge então o caráter feminino, no auge de sua auto-afirmação como contraponto ao pansexualismo. Descreva o papel da Égua Pocotó como elemento de instabilidade no equilíbrio social do Brasil do início do século XXI.

d) O poema de MC Serginho, precursor do movimento literário-cultural denominado Pocotoísmo, propõe uma nova métrica e abordagem ao texto poético. Alguns críticos da época chegaram a compará-lo a "Pedra no caminho", de Carlos Drummond de Andrade, esquecido poeta do século XX. Mais tarde, foi efetivamente identificada a sua decisiva contribuição para a quebra dos paradigmas literários, existenciais e de viés sociológico então vigentes. Compare o estilo da obra de MC Serginho com os autores clássicos do século XX e justifique a relevância de sua obra."

Bia soprou estas palavras ao vento às 8:20 PM
 


19.3.03

Não sei se fiz algo errado.
Depois que postei a lenda, os outros posts sumiram.
E só agora percebi que os links para os outros arquivos não foram atualizados.
Vou conferir isso mais tarde, com tempo, pois agora estou só de passagem.
Perdoem os transtornos...

ESTAMOS EM OBRAS!

rs...
Obrigada, e beijos!

Bia soprou estas palavras ao vento às 10:24 AM
 

Lenda sufi: o cavalo perdido



Há muitos anos, numa pobre aldeia chinesa, vivia um lavrador com seu filho. Seu único bem material, além da terra e da pequena casa de palha, era um cavalo que havia sido herdado de seu pai.
Um belo dia, o cavalo fugiu, deixando o homem sem o animal para lavrar a terra. Seus vizinhos - que o respeitavam muito por sua honestidade e diligência - vieram até sua casa para dizer o quanto lamentavam o ocorrido. Ele agradeceu a visita, mas perguntou:
- Como voces podem saber que o que ocorreu foi uma desgraça na minha vida?
Alguém comentou baixinho com um amigo: "ele não quer aceitar a realidade, deixemos que pense o que quiser, desde que não se entristeça com o ocorrido".
E os vizinhos foram embora, fingindo concordar com o que haviam escutado.
Uma semana depois, o cavalo retornou ao estábulo, mas não vinha sózinho; trazia uma bela égua como companhia. Ao saber disso, os habitantes da aldeia - alvoroçados, porque só agora entendiam a resposta que o homem lhes havia dado - retornaram à casa do lavrador, para cumprimenta-lo pela sua sorte.
- Você antes tinha apenas um cavalo, e agora possui dois. Parabéns! - disseram.
- Muito obrigado pela visita e pela solidariedade de voces - respondeu o lavrador. - Mas como voces podem saber que o que ocorreu é uma bençao na minha vida?
Desconcertados, e achando que o homem estava ficando louco, o vizinhos foram embora, comentando no caminho "será que este homem não entende que Deus lhe enviou um presente? "
Passado um mes, o filho do lavrador resolveu domesticar a égua. Mas o animal saltou de maneira inesperada, e o rapaz caiu de mau jeito - quebrando uma perna.
Os vizinhos retornaram à casa do lavrador - levando presentes para o moço ferido. O prefeito da aldeia, solenemente, apresentou as condolências ao pai, dizendo que todos estavam muito tristes com o que tinha acontecido.
O homem agradeceu a visita e o carinho de todos. Mas perguntou:
- Como voces podem saber se o que ocorreu foi uma desgraça na minha vida?
Esta frase deixou a todos estupefatos, pois ninguem pode ter a menor dúvida que um acidente com um filho é uma verdadeira tragédia. Ao sairem da casa do lavrador, diziam uns aos outros: "o homem enlouqueceu mesmo; seu único filho pode ficar coxo para sempre, e ele ainda tem dúvidas se o que ocorreu é uma desgraça".
Alguns meses transcorreram, e o Japão declarou guerra contra a China. Os emissários do imperador percorreram todo o país, em busca de jovens saudáveis para serem enviados à frente de batalha. Ao chegarem na aldeia, recrutaram todos os rapazes, exceto o filho do lavrador, que estava com uma perna quebrada.
Nenhum dos rapazes retornou vivo. O filho se recuperou, os dois animais deram crias que foram vendidas e rederam um bom dinheiro. O lavrador passou a visitar seus vizinhos para consola-los e ajuda-los - já que tinham se mostrado solidários com ele em todos os momentos. Sempre que algum deles se queixava, o lavrador dizia: "como sabe se isso é uma desgraça?" Se alguém se alegrava muito, ele perguntava: "Como sabe se isso é uma benção?" E os homens daquela aldeia entenderam que, além das aparências, a vida tem outros significados.


Bia soprou estas palavras ao vento às 10:18 AM
 


10.3.03

ainda sobre a saudade

Ainda não me recuperei totalmente e uma dor sinuosa insiste em anuviar meu horizonte próximo. Penso na mãe, no pai, no irmão, na irmã, no avô, nas avós e nos demais parentes... A vítima, propriamente, não carece de compaixão - acredito firmemente que se encontra num lugar muito especialmente reservado para ele. Dizem que todo mundo que morre se torna conceitualmente bom - mas nesse caso em particular do André, ele era realmente um garoto particularmente bom e gozava de um universo imenso de amizades e simpatias. As vezes tinha um ar meio ensimesmado e mergulhava num silêncio triste. Mas de repente desabrochava um sorriso enorme e abraçava com entusiasmo e afeto as pessoas à sua volta. Era o tipo de garoto que sempre se revelava uma companhia agradável. Discreto, promovia todos ao seu redor, agradava às crianças e as pessoas idosas. Adorava desmanchar os cabelos do pai e pegar a mãe no colo. As crianças simplesmente o adoravam e ele se tornava uma delas em muitos de seus folguedos... Quando atendia ao telefone a sua voz vibrava do outro lado e anunciava alegremente à mãe quem estava ao telefone. Tornava grandes todas as pequenas coisas. Em sua derradeira despedida haviam muitas muitas pessoas que compareceram e entre estas a grande maioria era composta de jovens - seus amigos, suas amigas - gente simples e despojada, mas cheios de imensa afeição que se via retratada em seus rostos tristes e em suas lágrimas sentidas. Uma coisa eu sei - ele gostaria que nenhuma alegria de viver se perdesse por causa de sua morte. Sua vida agora se insere na plenitude da Vida que é eterna e isenta de sofrimento e lágrimas. E é por isso que após experienciar de forma intensa esse luto angustiante, vou me lembrar do seu sorriso ingênuo, derramar talvez ainda algumas lágrimas de saudade, me despedir da dor e resgatar a alegria que por um lapso se viu afastada dos meus dias. E até mesmo por uma homenagem de amor ao André retornarei aos melhores dias de felicidade e luta para promover a vida, os bons sentimentos, a paz, a união, a concórdia. E vou até mesmo me arriscar a ser chamado de piegas, mas não quero mais perder oportunidades de falar de amor e de dizer a todos os que amo - o quanto eu os amo. Porque, na verdade, a vida do André se pode desenhar com um pontilhado contínuo de amor, de ternura e de solidariedade. Tão jovem e ensinou muito a tantas pessoas. Foi um enorme privilégio ter com ele convivido e partilhado tanta afeição - ainda que esta não tenha sido expressada como deveria. Mas êle sabia - certamente - do amor com que todos o amaram nesta vida - amor que agora continua e se envolve em um manto de saudade. André - aí desse bom lugar onde já estás - olhe pra nós e nos ajude a caminhar!

tarciso soprou estas palavras ao vento às 12:25 PM
 

Para os que sofrem a dor de uma perda...

Fidelidade ao teu coração

Há momentos onde já não encontras palavras para definir o que vai
em teu coração.
Há momentos onde já não há energia disponível para erguer a tua bandeira
e ir à luta.
Há momentos onde sentir-se triste, melancólico, parece dar mais sabor à vida que anda vazia, isenta de novos ventos,
de boas chuvas...
O que é capaz de despertar um
coração adormecido?
Onde encontramos a alegria sem
um motivo especial?
Por vezes, não parece fácil.




Sabes que tudo está dentro de ti, mas em determinados momentos não consegues resgatar nada além de um breve sopro de esperança,
que logo se esvai diante da resistência
em dar atenção a ti mesmo.
Mas, a natureza é sábia e logo te deparas silencioso, ansiando pela tua própria companhia.
No fundo sabes que é através destes momentos que se adquire clareza para saber que tudo precisa de tempo,
paciência e cuidados.
Sabes que nestes momentos o silêncio é necessário, assim como dar freios, guardar energia para que a vida volte a fluir, restaurando os estragos e restabelecendo a paz de espírito.
Hás que estar consciente de que nada
se prolonga por muito tempo.
Apesar do contrário, o movimento existe,
mesmo que sutil, e se permitires, este trabalha em prol do teu equilíbrio interior.
Lembra que a única coisa capaz de sustentar qualquer situação, é a tua vontade
em nela permanecer.
Lembra também que a vida é feita de momentos, muitos momentos.
Cabe a ti saber vivê-los, um a um.
Cabe a ti aprender com eles e gerar à tua existência a capacidade para estar atento,
pois é através da atenção no presente,
que descobres pérolas como compreensão, paciência, confiança e fidelidade
ao teu coração.


extraído da seção "De bem com a vida" no site "Estação Paz" (não deixe de visitar!!)

Bia soprou estas palavras ao vento às 12:58 AM
 


4.3.03

Servidor não encontrado

hoje não consegui acessar a página do quatro-ventos... o que será que anda acontecendo com o blogger.com.br???

tarciso soprou estas palavras ao vento às 4:55 PM
 


3.3.03

Quer entrar para o mundo dos blogs
de maneira inesquecível?
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Um blog completo, prontinho, espera pelo seu dono

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http://www.naodiscuto.blogger.com.br/

Bia soprou estas palavras ao vento às 4:04 PM
 

propaganda de cigarro - que copiei do blog nada pessoal:

tarciso soprou estas palavras ao vento às 10:51 AM
 

"O tempo não é como o trem, não apita na curva, não espera ninguém"

É assim que o tempo passa para alguns.
Como um trem, apesar de não o ser.
Não avisa que está chegando, não espera seus passageiros.
Alguns perdem a hora, e não embarcam nunca.
Há que se abrir bem os olhos, prestar atenção, ouvidos atentos.
A viagem perdida por vezes pode custar uma vida de espera.
Não percamos o tempo.
Não percamos esta viagem.
Estejamos a postos. Sempre.
Para viver nossa única realidade.

Bia soprou estas palavras ao vento às 4:35 AM
 


2.3.03

hoje, isso era tudo o que eu queria

tarciso soprou estas palavras ao vento às 12:29 PM
 

saga

e tudo se renova
quando amigos virtuais se encontram
dispostos a postar a quatro mãos
com o intuito de espalhar
aos quatro ventos
o quotidiano da ternura
ou mesmo refletindo cada qual
o teor de uma rotina massacrante
que tantas vezes se impõe em nossos dias
em suas dores e unguentos
também as dádivas do amor e seus rebentos
os nossos olhos sempre atentos à biruta
que orienta como bússola dos ventos
pra evitarmos o noroeste caudaloso
não é nenhum dos quatro e traz consigo
os maremotos, os vulcões e a desdita
só o que queremos é um mundo sereno
a felicidade distribuída à mancheias
nada de mau acontecendo
crianças brincando sorriso estampado
e os encontros de amor
entre todos os amantes e amados
e um mundo novo a construir
que seja essa a saga desse blog
que lhe justifique a existência
e tal perdure enquanto venha a existir

tarciso soprou estas palavras ao vento às 11:58 AM
 


1.3.03

Apresentação


Há uns 6 meses atrás, fui apresentada ao mundo dos blogs por uma querida amiga de chat.
Foi uma descoberta e tanto, um mundo totalmente novo, com n possibilidades descortinando-se ante meus olhos incrédulos e maravilhados.
Em pouco tempo já tinha minhas leituras preferidas, aqueles blogs que ficaram eleitos como os do coração.
Dentre eles, o "Há vida depois dos 40" do querido amigo Luiz Tarciso.
Nestes quase 6 meses de blogueira tenho aprendido muito sobre mim, sobre a vida, e principalmente, sobre o outro.
Onde lê-se outro, leia-se o próximo.
Começando pelo vizinho, o morador do prédio ao lado, passando pelo conterrâneo que vive do outro lado do mundo, e chegando a todas as partes deste país sem fronteiras que dividimos na internet.
Esta semana recebi o convite então do Tarciso, padrinho de blog, para participar do "Aos quatro ventos" como colaboradora.
Fiquei muito feliz com o convite, e tenho certeza de que tenho ainda muito mais a aprender com todos aqueles que por aqui passam.
Lendo, contribuindo, postando.
Agradeço a oportunidade, e aproveito o momento de festa geral, e em ritmo carnavalesco, para desejar à todos um ótimo final de semana.
Divirtam-se!!


Bia soprou estas palavras ao vento às 3:41 AM
 
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